Estações de esqui: a logística no topo
A cada inverno, as estações de esqui francesas conciliam desafios logísticos para proporcionar uma experiência inesquecível a esquiadores e turistas. Conheça suas soluções, em especial as de Piau-Engaly, a estação de esqui mais alta dos Pireneus. A toda velocidade!
Concentração, equilíbrio, adaptação, velocidade, antecipação… Foi graças a essas qualidades — e a muito trabalho — que campeões franceses como Cyprien Sarrazin, Tessa Worley e Alexis Pinturault subiram aos pódios das grandes competições internacionais de esqui nos últimos anos. Qualidades que coincidem com as de outra disciplina emblemática das estações de esportes de inverno: a logística. É o caso de Piau-Engaly (município de Aragnouet).
Inaugurada nos anos 1980, essa estação — a mais alta dos Pireneus — dispõe de um inegável know-how logístico. É preciso dizer que, com seu cenário excepcional — próximo ao Parque Nacional dos Pireneus — e sua intensa cobertura de neve, ela atrai uma clientela cada vez maior e mais diversificada. Um sucesso que exige uma organização minuciosa, como explica Jean Mouniq, prefeito de Aragnouet. « Em poucas semanas, nosso município passa de 248 residentes anuais para 6.000 pessoas hospedadas. A gestão das infraestruturas e dos serviços precisa se adaptar a essas variações. As redes de água e eletricidade, ou os sistemas de gestão de resíduos, são dimensionados para atender à demanda máxima. Em caso de problemas técnicos, nossa capacidade de reação é crucial, sobretudo em altitude. Mas os profissionais locais estão acostumados a lidar com situações de emergência. Assim como os comerciantes e donos de restaurantes do município, que organizam seus abastecimentos conforme as limitações do território. » Portanto, não há risco de faltar especialidades regionais (porco preto, queijos…) durante a temporada, nem mesmo equipamentos de esqui nas lojas da estação.
O e-commerce pega o teleférico
Para as estações, esse desafio logístico deverá perdurar nos próximos anos. Apesar dos receios de redução da cobertura de neve em razão das mudanças climáticas, os maciços montanhosos ainda registraram lotação neste inverno. Segundo os primeiros números do Observatoire national des maires des stations de montagne (ANMSM), a frequência nas férias de inverno cresceu 3% entre 10 de fevereiro e 9 de março de 2024, na comparação anual. Uma clientela numerosa que tende a reproduzir, em altitude, seus hábitos de consumo urbanos.
Assim, as compras on-line e as entregas são cada vez mais comuns nas estações de esqui, especialmente para compras de alimentos, refeições ou equipamentos esportivos. Alguns supermercados Carrefour Montagne, por exemplo, oferecem aos turistas a opção de retirada em loja a pé ou de entrega das compras em sua hospedagem. Um serviço que, por vezes, se estende até ao empréstimo de equipamentos para noites de raclette e pierrade. O espírito da montanha, sem dúvida. Nos Alpes, a empresa franco-britânica Huski entrega pratos caseiros prontos nas principais estações de esqui da região. Sua sede em Bourg-Saint-Maurice — onde trabalham 20 colaboradores — reúne uma cozinha de ponta e um armazém. No cardápio? Clássicos da gastronomia local e francesa (tartiflette, boeuf bourguignon, coelho com mostarda…) e também sabores mais exóticos (frango ao curry, tikka masala...). O suficiente para agradar aos apreciadores da boa mesa após um bom dia de esqui.
A logística sustentável no caminho certo
Por fim, como todos os agentes do turismo, as estações também buscam hoje reduzir sua pegada ambiental, oferecendo soluções de mobilidade descarbonizada aos turistas. Uma tendência que Piau-Engaly havia antecipado historicamente. O destino nos Pireneus oferece, de fato, um ambiente « sem carros » desde sua criação. Exceto durante os períodos de descarga, os visitantes são convidados a deixar seus veículos nos estacionamentos periféricos. Uma abordagem que deve ser reforçada nos próximos anos. « O compromisso com o desenvolvimento sustentável é uma prioridade para nosso município. Devemos proteger e valorizar a paisagem excepcional que nos cerca, afirma Jean Mouniq. A questão dos transportes é sempre complexa, mas não devemos hesitar em inovar. Em geral, os turistas ficam muito satisfeitos por não usar o carro durante a estadia. »
Essa dinâmica em favor do transporte sustentável nas estações também se estende à logística de última milha. É o caso, por exemplo, de Zermatt (Suíça). Como os veículos motorizados são proibidos na principal rua comercial da estação, veículos elétricos e carruagens são utilizados para as entregas. A mesma lógica vale para Avoriaz (Haute-Savoie), onde o transporte de mercadorias é feito por trenós. E nenhum veículo parece escapar a essa transição verde. Após calcular que 89% de suas emissões diretas de gases de efeito estufa eram geradas pelo uso de máquinas de preparação de pistas, Serre Chevalier (Hautes-Alpes) optou, no último inverno, pelo uso de combustível sintético nesses veículos. Uma decisão que deve contribuir para a meta de emissões líquidas zero da estação até 2030.
« Ao contrário de uma ideia preconcebida, as mudanças climáticas são levadas a sério pelos municípios de montanha. As estações estão se tornando destinos para as quatro estações, oferecendo atividades compatíveis com a proteção da natureza. No inverno, abrimos, por exemplo, percursos de arvorismo ou de snowtubing logo ao lado das pistas. No verão, oferecemos aos visitantes áreas de pesca (graças aos nossos sessenta lagos), passeios de mountain bike e trilhas sinalizadas. Também recebemos eventos esportivos como o Le Grand Raid des Pyrénées, uma das provas de trail mais importantes do mundo. Tenho certeza de que as futuras gerações saberão enfrentar esse grande desafio da adaptação. » Concentração, equilíbrio, velocidade, antecipação… Os futuros campeões da logística de montanha já sabem quais qualidades deverão mobilizar nas próximas décadas.




