Quando haverá um « efeito Scully » na logística?
Documentado nos anos 1990 pelo Gena Davis Institute, o « efeito Scully » demonstra o impacto positivo da personagem Dana Scully, da série X-Files, na orientação das mulheres para carreiras científicas. A logística é outro desses universos que sofrem com a falta de mulheres. Enquanto não se escreve uma série de televisão sobre uma mulher da logística, o setor se mobiliza por mais diversidade de gênero.
Provavelmente, eles são os agentes do FBI mais conhecidos do mundo. Nos anos 1990, Mulder e Scully reuniam, a cada episódio, entre 10 e 20 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos. Embora o tema central tratasse de fenômenos sobrenaturais e extraterrestres, a série teve um efeito colateral inesperado : interpretada por Gillian Andersen, a agente Dana Scully, médica, cientista rigorosa e racional, inspirou muitas mulheres que posteriormente seguiram formações em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Esse impacto, denominado « efeito Scully », foi documentado pelo Gena Davis Institute. Segundo seu estudo publicado em 1993, em parceria com a Fox, as mulheres que assistiram à série têm 50% mais probabilidade de optar por formações STEM, e dois terços das mulheres que trabalham nessas áreas científicas declararam que a personagem Scully lhes serviu de modelo de emancipação e sucesso.
Os « Arquivos XX » da logística
Como ainda ocorre em diversas áreas, a logística tem dificuldade para atrair talentos femininos. E ainda não ouvimos falar de uma nova série de televisão em que uma das protagonistas seja uma mulher atuando na logística... Em 2013, um estudo da Comissão Europeia concluiu que, se as mulheres estivessem tão presentes quanto os homens no setor digital, o PIB europeu aumentaria cerca de 9 bilhões de euros por ano. Na logística, há poucos estudos desse tipo disponíveis. No entanto, eles ofereceriam uma perspectiva interessante sobre o que uma maior proporção de pessoas com dois cromossomos X poderia trazer...
Alguns números, contudo
A oitava pesquisa anual da Gartner sobre o lugar das mulheres na Supply Chain revela que elas representavam 41% do efetivo da cadeia de suprimentos em 2023, ante 39% em 2022. Contudo, a representação feminina continua defasada no campo, onde as mulheres ocupam apenas 31% dos postos operacionais de linha de frente.« É particularmente encorajador observar o avanço das mulheres em cargos de alta liderança; de fato, sabemos que, quando uma mulher ocupa o cargo mais alto na cadeia de suprimentos, isso está positivamente correlacionado a uma presença maior de mulheres em cargos de direção, assim como em todos os níveis da organização », comenta Caroline Chumakov, diretora e analista da divisão Supply Chain da Gartner. Mas « embora os sinais indiquem uma evolução positiva, faltam-nos dados e, antes de 2018, eles são praticamente inexistentes », lembra a France Supply Chain.
Carta de compromisso e grupo de trabalho
Essa falta de estatísticas não impede o setor e as diferentes associações que o representam de atuar em favor de uma maior paridade. Cartas de compromisso são assinadas e grupos de trabalho são formados. Assim, na Afilog, após a coassinatura de uma carta com o Ministère en charge de l’Egalité entre les Femmes et les Hommes et de la Lutte contre les discriminations, o grupo de trabalho Woment4Warehouse, liderado por Anne Vibert, da Invesco, e Séverine Simon, da Quartus Logistique, desenvolve diferentes ações desde 2023 para revelar as oportunidades disponíveis para as mulheres nas profissões do setor imobiliário logístico e industrial, mas também para conscientizar sobre as dificuldades enfrentadas. Todas as possibilidades são exploradas para dar visibilidade às questões e às soluções a serem implementadas. « Precisamos ser mais visíveis !, declara Anne Vibert. Nos próximos meses, vamos multiplicar as ações nesse sentido. Além de um site dedicado, vamos, por exemplo, participar ativamente de desafios esportivos e beneficentes organizados durante feiras profissionais (MIPIM, SIMI, SITL), organizar palestras, cafés da manhã profissionais, encontros com estudantes em seus campi, conferências-debates... ».
Pensar no amanhã e atrair « talentos »
De fato, uma maior paridade não é apenas um objetivo social e filantrópico : a logística precisa contratar (a editora especializada Acteos estimava, em 2022, em 22 000 o número de vagas abertas no setor), e a diversidade de gênero é um importante motor para incentivar as gerações mais jovens a se candidatarem. A associação France Supply Chain segue nessa direção com seu Lab Jeunes, que pretende mudar a imagem das profissões do setor junto às gerações mais jovens. « O objetivo é que os jovens cheguem à Supply Chain por escolha, e não mais por acaso, e, sobretudo, as mulheres », lê-se no site da associação, que também optou por destacar modelos de referência por meio de uma série de webinars intitulada « Femmes inspirantes » e que dá voz a diretoras de Operações, diretoras-gerais, integrantes do COMEX etc. « A questão da visibilidade é central, e é indispensável desenvolver indicadores nas empresas e em conjunto com a pesquisa ». É possível enxergar nessa iniciativa a vontade de criar, sem nomeá-lo, um « efeito Scully » na logística...




